quinta-feira, 30 de julho de 2009

cais


Sento-me no cais. Vozes masculinas e pertinentes, murmuram algo que a distância a que me encontro do velho barco não me permite ouvir. "Levantem a ancora!" entoa uma delas, num tom grave e majestoso. Não hesitaria em dizer que falara o capitão. O barco parte e é então que reparo naquilo que a sombra deste me escondia. Um homem e uma mulher, sentados sobre a pedra escura que conduz até ao mar quem se atrever a percorre-la. Duas meras pessoas de meia idade. Senão fosse a maneira como se olham e se tocam, diria até que eram marido e mulher, mas não. Talvez amantes, talvez. Vejo-os agora a recuar, penso que terei perdido a noção de tempo, sim definitivamente. O que resta diante de mim é o mesmo barco velho. Já teve tempo de ir e regressar? Sem dúvida. Agora que olho, rapidamente, para o relógio reparo que é tarde, mais tarde do que, supostamente, deveria de ser. Na verdade o tempo não pára. É hora de partir e regressar ao meu cais, afinal, quem de nós não possui um?

1 comentário:

A Magia da Noite disse...

estamos sempre a chegar e a partir, de sonhos, de realidades, dias difíceis, sonhos atormentados. Prazeres, não confessados, este é o lugar onde sempre atracamos nosso barco.